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4 sinais de endometriose pouco considerados pelas mulheres

O caminho até a confirmação da endometriose é marcado por desencontros diagnósticos. Estimativas da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE) e da FederaÃ...

4 sinais de endometriose pouco considerados pelas mulheres
4 sinais de endometriose pouco considerados pelas mulheres (Foto: Reprodução)

O caminho até a confirmação da endometriose é marcado por desencontros diagnósticos. Estimativas da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE) e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) apontam que as pacientes levam de sete a 10 anos para obter o diagnóstico definitivo. O principal motivo para essa janela de espera é a banalização de queixas que vão muito além do aparelho reprodutor feminino. Por ser uma doença inflamatória sistêmica com manifestação predominantemente pélvica, o tecido semelhante ao endométrio pode se implantar em diferentes órgãos. Essa característica faz com que a mulher busque ajuda em gastroenterologistas, urologistas ou infectologistas, sem que a origem real das dores seja identificada. Veja abaixo quatro sinais, que frequentemente estão relacionados à endometriose, e na maioria das vezes são ignorados. 1. Dor profunda durante ou após a relação sexual (Dispareunia) A dor durante relação, em muitos casos, pode ser interpretada como um problema psicológico ou falta de lubrificação. Na endometriose profunda, as lesões costumam se instalar nos ligamentos uterossagrais (estruturas que sustentam o útero) e no fundo de saco de Douglas (região entre o útero e o reto). Com o impacto mecânico da relação, essas áreas inflamadas e fibrosadas sofrem tração, gerando uma dor em fisgada de forte intensidade. Em muitos casos, o desconforto persiste por horas após o término do ato sexual, impactando diretamente o bem-estar emocional do casal. 2. Alterações intestinais no período menstrual Muitas mulheres observam que o funcionamento do intestino muda drasticamente nos dias que antecedem ou acompanham a menstruação. A presença de estufamento abdominal excessivo (endobelly), diarreia, prisão de ventre, dor ao evacuar e presença de puxo ou tenesmo (sensação persistente e urgente de ir ao banheiro) são fortes indicativos de endometriose intestinal. A inflamação provocada pelos focos aderidos à parede do reto ou do sigmóide faz com que o trânsito intestinal reaja às variações hormonais do ciclo. Quando não diagnosticada, a lesão pode infiltrar a camada muscular do intestino, exigindo intervenções cirúrgicas de maior complexidade pélvica. 3. Desconforto e dor ao urinar durante o ciclo Sintomas semelhantes aos de uma infecção urinária recorrente, como ardência ao urinar, peso na bexiga, aumento da frequência urinária, mas com exames de urina constantemente negativos, acendem o alerta para o acometimento da endometriose da via urinária. Focos da doença fixados na parede da bexiga ou ao redor dos ureteres (canais que levam a urina dos rins à bexiga) reagem ao estímulo hormonal e inflamam durante a menstruação. A falta de diagnóstico nesses casos pode levar à obstrução silenciosa do fluxo urinário e comprometer a função renal ao longo do tempo. 4. Cansaço extremo e indisposição A fadiga associada à endometriose difere do cansaço comum do dia a dia. Trata-se de um esgotamento físico e mental persistente que não melhora mesmo após um período adequado de sono. Esse sintoma é provocado pela resposta imune contínua do organismo. Como o sistema imunológico tenta, sem sucesso, combater os focos inflamatórios espalhados pela pelve, ocorre a liberação constante de substâncias chamadas citocinas pró-inflamatórias. Essa inflamação crônica consome a energia do corpo e gera um quadro de prostração sistêmica. O diagnóstico preciso e a conduta especializada A identificação dessas manifestações exige uma investigação focada através do mapeamento pélvico avançado, que geralmente é realizado por meio do ultrassom transvaginal com preparo intestinal. Diante desse cenário complexo, é fundamental compreender a endometriose além dos sintomas ginecológicos e reconhecer a dimensão multissistêmica da doença. "Quando o tratamento clínico já não controla os sintomas ou há comprometimento de órgãos vitais como o intestino e os ureteres, a intervenção cirúrgica torna-se necessária. O objetivo é a ressecção completa de todos os focos visíveis, preservando os tecidos saudáveis", explica Tiago Castilho, cirurgião oncológico com atuação em cirurgia ginecológica e cirurgia de endometriose profunda. Investigação e cuidado especializado Reconhecer esses sinais não significa concluir que toda dor ou alteração seja endometriose, mas sintomas persistentes, intensos ou que interferem na qualidade de vida merecem investigação. Há mais de 10 anos, o doutor Tiago Castilho opera mulheres com endometriose, incluindo casos profundos e de maior complexidade. Sua atuação é voltada à cirurgia minimamente invasiva, com experiência em videolaparoscopia e cirurgia robótica. No programa Cuidado 360º, apresenta uma proposta estruturada para preparar, acompanhar e cuidar da paciente antes, durante e depois da cirurgia, quando esse tratamento é indicado. Tiago Castilho é Cirurgião Oncológico com atuação em Cirurgia Ginecológica e Cirurgia de Endometriose Profunda, mestre e doutor na área, com mais de 10 anos de experiência no tratamento cirúrgico da doença. CRM-PR 22590 | RQE 2911 | RQE 844.